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Perversidade da vida contemporânea é tema de Deadline, de Priscila Gontijo, que estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade

Ao lançar um olhar subversivo e transgressor sobre a sociedade brasileira, Deadline, de Priscila Gontijo, revela o encontro de duas mulheres que aguardam na sala de exames ginecológicos. Dirigida por Fernanda D’Umbra, a peça estreia no Teatro Anexo à Oficina Cultural Oswald de Andrade, no dia 11 de junho, com sessões de segunda a quarta-feira, sempre às 20h.

Aos quarenta anos, duas mulheres desenvolvem uma estranha amizade quando tentam se adaptar a um mundo hostil tomado por contratos, prazos e padrões de comportamento implacáveis. A atriz Guta (Maria Fanchin), em pleno desastre profissional, amoroso e familiar vai morar com a roteirista Nicky (Nicole Cordery), que também passa por um desastre de proporções idênticas. Sem solução para suas vidas elas tentam se adaptar ao que chamamos de “vida normal”.

“O que temos ali é um mundo barbarizado pela burocracia. As personagens têm duas opções: se perder ou se adaptar. Não há meio termo. Elas estão à deriva em um oceano de situações constrangedoras. No texto, peço atenção aos substantivos hiper-adjetivados, coisas que, em sua descrição, já criam situações. Por exemplo, ao qualificar o gerente do banco a partir dos adjetivos que conheço, eu me coloco em uma situação específica, cheia de códigos malucos de uma sociedade patológica, mas que são percebidos pela plateia. E a vida dentro dessa linguagem é engraçada e melancólica ao mesmo tempo. Enfim, uma lupa estranha sobre o que existe”, comenta a diretora.

Dominadas pela burocracia, dívidas financeiras e relacionamentos que se desfazem, as duas tentam emergir dos escombros. Em meio a tentativa de sobrevivência, elas lidam com a figura masculina nas suas mais diversas formas: homem/patrão/namorado/gerente, todos vividos pelo ator Eduardo Guimarães.

A cenografia e o figurino da peça são confeccionados em plástico. “É um material belíssimo, mas bem controverso, porque é quente, porque é errado, porque faz barulho. No figurino, usamos plástico bolha como matéria-prima para a confecção de vestidos, cardigans, casacos, roupas de exame clínico e objetos diversos. Tudo de plástico bolha de alta densidade e em cores diversas (laranja, amarelo, preto). Estamos a construir um cenário de cubos infláveis transparentes. Não é fácil, é uma briga boa, mas acho que vamos conseguir. A iluminação atravessa as transparências do cenário e do figurino e em alguns casos cria monstros corporativos que assombram as personagens”, explica a encenadora.

Sobre Fernanda D’Umbra

Formada pela EAD-USP (Escola de Arte Dramática da USP), a atriz, diretora, cantora e roteirista Fernanda D’Umbra atuou em dezenas de espetáculos de grupos como Os Satyros, Parlapatões, Cemitério de Automóveis e La Mínima. Ganhou o Prêmio Qualidade Brasil de melhor atriz, em 2005, pela atuação em “As Mulheres da Minha Vida”, com direção de Daniel Filho. Ainda nos palcos, assinou as direções de peças como “Homens, Santos e Desertores”, de Mário Bortolotto; “Meninas da Loja”, de Caco Galhardo; “Roxo”, de Jon Fosse; “Syngue Sabour”, de Atiq Rahimi. Em 2017 a convite do Centro Cultural São Paulo reabriu o Espaço Cênico Ademar Guerra com a direção de “Pequenas Certezas”, de Barbara Colio.

No cinema, D’Umbra atuou nos filmes “Boleiros 2” (2006), de Ugo Giorgetti; “Confia em Mim” (2014), de Michel Tikhomiroff; e “Meu Mundo em Perigo” (2010) e “O Gorila” (2015), ambos de José Eduardo Belmonte. Na televisão, foi protagonista do seriado “Mothern” (2013, GNT) e escreveu os seriados “Descolados” (2009, MTV) e “Agora Sim!” (2017, Sony).

É vocalista da banda Fábrica de Animais, que lançou dois álbuns pelo selo Baratos Afins.

Sobre Priscila Gontijo

Carioca radicada em São Paulo, a dramaturga, roteirista e pesquisadora Priscila Gontijo formou-se em Letras e atualmente é mestranda em Literatura e Crítica Literária na PUC/SP. Em 2000, integra o Círculo de Dramaturgia do CPT – Centro de Pesquisa Teatral, coordenado por Antunes Filho.

É também fundadora da Companhia da Mentira, onde começou a encenar seus próprios textos. O primeiro deles, “Soslaio” ganhou o Prêmio Myriam Muniz da Funarte em 2007, e estreou no Sesc Paulista no mesmo ano. O segundo trabalho, “Os Visitantes”, foi é vencedor do FATE (Fundo de Apoio ao Teatro do Rio de Janeiro) em 2009, e cumpriu temporada no teatro Gláucio Gil/RJ.

Desde então, ela já escreveu vários outros textos teatrais, com destaque para “Antes do Sono” (2010), “C+A+T+R+A+C+A” (2014), “Uma noite sem o aspirador de pó” (2014), “A Vida Dela” (2016) e “Funambul@s” (2018). Ela também escreveu o roteiro do telefilme “Irina” (2012), exibido pela TV Cultura, e os livros “Peixe Cego” (ed. 7 Letras), finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2016, e “Antes da Insânia” (2016), selecionado em primeiro lugar no projeto Tutoria CAE da Casa das Rosas.

SINOPSE CURTA

Duas mulheres em crise de meia idade se encontram no exame ginecológico e desenvolvem uma estranha amizade.

Gênero: Humor Sombrio

SINOPSE MAIS LONGA

Duas mulheres na faixa dos 40 anos – uma atriz e uma roteirista – estão na cabine que antecede o exame ginecológico vestidas de avental e propés. Guta vive uma crise afetiva, e Nicky uma crise profissional. Ao escutar a conversa telefônica da vizinha da cabine ao lado, as duas mulheres se aproximam. A partir daí vemos suas tentativas para se inserir em um mundo onde a burocracia dá as cartas, as dívidas se amontoam, os relacionamentos se desfazem em mensagens de áudios ou no mais absoluto silêncio.

FICHA TÉCNICA

Texto: Priscila Gontijo

Direção: Fernanda D’Umbra

Elenco: Eduardo Guimarães, Maria Fanchin e Nicole Cordery

Cenários e Figurinos: Anne Cerrutti

Iluminação: Hernandes de Oliveira

Trilha Sonora Original: Conrado Goys

Direção de movimento: Vitor Vieira

Assistente de direção: Mariana Leme

Programação visual: Pablito Kucarz

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Produção: Maria Fanchin e Nicole Cordery

SERVIÇO

Deadline, de Priscila Gontijo

Gênero: Humor Sombrio

Oficina Cultural Oswald de Andrade – Teatro Anexo – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro

Temporada: de 11 de junho a 25 de julho, às segundas, terças e quartas-feiras, às 20h.

Não haverá apresentação no dia 17 de junho.
Dia 9 de julho a apresentação será às 18h.

Ingressos: Grátis, distribuídos uma hora antes de cada sessão

Duração: 70min

Classificação: livre

Capacidade: 40 lugares

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