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Luis Antonio – Gabriela volta ao Teatro de Contêiner Mungunzá

Sucesso de público e crítica com mais de 400 apresentações e 40 mil espectadores em todo Brasil, o espetáculo LUIS ANTONIO – GABRIELA, com direção de Nelson Baskerville, faz apresentações de 16 a 19 de março, sábado às 23h e de domingo a terça-feira, às 22h, no Teatro de Contêiner Mungunzá. A montagem, que desde 2018 conta com a atriz trans Fabia Mirassos no papel de Gabriela, traz no elenco os atores Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto.

Em LUIS ANTONIO – GABRIELA o diretor Nelson Baskerville coloca em cena sua própria história, onde o irmão mais velho, homossexual, Luis Antonio, desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960. O documentário cênico tem início no ano de 1953, com o nascimento de Luis Antonio, filho mais velho de cinco irmãos, que passou infância, adolescência e parte da juventude em Santos até ir embora para Espanha aos 30 anos, onde se transforma em Gabriela.

O espetáculo narra a história de Luis Antonio até o ano de 2006, data de sua morte na cidade de Bilbao, na Espanha. LUIS ANTONIO – GABRIELA foi construído a partir de documentos e dos depoimentos do ator e diretor Nelson Baskerville, de sua irmã Maria Cristina, de Doracy, sua madrasta e de Serginho, cabeleireiro na cidade de Santos e amigo de Luis Antonio.

Documentário-cênico

LUIS ANTONIO – GABRIELA apresenta ao público a transformação de Luis Antonio em Gabriela a partir de diferentes pontos de vista, como do irmão caçula que foi abusado sexualmente; da irmã que sai pelo mundo em busca do corpo de Gabriela; do pai que não reconhecia o filho travesti; e dos amigos e colegas de trabalho, que viam a figura da protagonista com uma mistura de admiração e estranhamento.

O diretor Nelson Baskerville conta que em 2002, recebeu a notícia de que o irmão tinha morrido na Espanha. “Luis Antonio, pra mim, era aquele irmão, oito anos mais velho, que sempre mantive na sombra. Só alguns poucos amigos sabiam da sua existência, ele era aquele que, além de me seduzir, e abusar sexualmente, fazia com que muitos dedos da cidade de Santos fossem apontados pra nós. Sou obrigado a confessar que a notícia da morte dele não me abalou nem um pouco. Eram quase 30 anos sem saber nada dele, sem saber se ele estava vivo ou morto, enfim, liguei pra minha irmã, Maria Cristina, advogada para passar a notícia pra frente e a preocupação imediata dela foi com os papéis, atestado de óbito, documentação para o espólio, etc.”, explica ele.

Maria Cristina empreendeu então uma jornada fadada ao fracasso que era saber notícias do paradeiro de Luis Antonio. Depois de alguns meses, através da embaixada brasileira na Espanha ela o encontrou, mas não exatamente da forma que esperava. Luis Antonio estava vivo, morava em Bilbao e a partir disso os irmãos começaram a tentar formar e entender aquela lacuna de 30 anos que os separavam. “Minha irmã, numa aventura ‘almodovariana’ foi encontrá-lo. Luis Antonio chamava-se agora Gabriela, tinha sido uma estrela das noites de Bilbao, era viciada em cocaína e AIDS era a menor das suas doenças. Através da Maria Cristina, passamos então a ter notícias dele até sua morte, agora verdadeira, em 2006”, recorda o diretor.

22 telas na cenografia

Com trilha sonora original composta por Gustavo Sarzi, onde todos os atores aprenderam a tocar instrumentos para a execução das músicas, LUIS ANTONIO – GABRIELA também traz diferenciais na iluminação e cenografia.

A luz, não convencional do espetáculo foi inteiramente construída pelos atores e diretor e é operada de dentro do palco. Para a cenografia foram encomendadas 22 telas do jovem artista plástico Thiago Hattner, que fazem parte da cena que Maria Cristina leva Luis Antonio ao Museu Guggeinhein de Bilbao.

Artista trans no papel principal

Desde 2018 a atriz trans Fabia Mirassos assumiu o papel de Gabriela, pois em 2017, o Movimento Nacional de Artistas Trans (MONART), reivindicou a personagem, pautando-se no fato de que não seria mais possível, por enquanto, um ator cisgênero, branco e heteronormativo (o ator Marcos Felipe) representar uma personagem trans. Não porque não pudesse fazê-lo, mesmo porque é uma representação, mas pelo fato de que a situação não é igualitária, e pouco ajudava a combater problemas mais sérios como, por exemplo, a transfobia.

“Na escala micro e individual eu acho injusto alçarmos peças e artistas aos patamares de algozes por levantarem questões relacionadas a personagens trans à cena, sem que necessariamente exista um corpo trans na equipe do projeto. Injusto bater em projetos e artistas que cumpriram trajetórias sólidas quando a pauta ainda não estava no horizonte, artistas que começaram a discussão quando ainda não se falava sobre o tema. No nosso caso em particular, não tenho a menor dúvida de que as 40 mil pessoas que assistiram LUIS ANTONIO – GABRIELA reviram seus posicionamentos e preconceitos com relação às travestis. Se não contribuímos de forma direta, com certeza contribuímos de forma indireta. Porém, na escala macro o movimento é justo. O movimento extremado faz com que os peões desse tabuleiro sejam rapidamente realocados. E como estamos falando de apagamentos de seres humanos, o movimento extremado é urgente e necessário. Estaríamos conversando sobre isso se não estivessem questionando diretamente e acaloradamente tantos artistas sérios? Acho pouco provável”, reflete Marcos Felipe.

O acordo proposto pelo Movimento é simples e direto: que os atores parem de representar personagens trans e travestis por 30 anos e que esses papéis sejam direcionados para os artistas trans e travestis. “Não é fácil para mim, que interpretei Gabriela por mais de 400 vezes, dar passagem, mas o exercício de deslocamento precisa ser feito. E será. Por hora, e pelos próximos 30 anos, eu fico só com a representação de Luis Antonio e a atriz Fabia Mirassos vai com Gabriela até 2053”, explica o ator.

LUIS ANTONIO – GABRIELA

De 16 a 19 de março, sábado às 23h e domingo a terça-feira às 22h, no Teatro de Contêiner Mungunzá.
Com a Cia Mungunzá de Teatro. 
A partir do argumento de Nelson Baskerville com intervenção dramatúrgica de Verônica Gentilin. 

Elenco – Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias, Day Porto e Fabia Mirassos. 
Músico – Gustavo Sarzi. 
Técnico-Performer – Pedro Augusto.  
Direção – Nelson Baskerville.
 Diretora Assistente – Ondina Castilho. 
Assistente de Direção – Camila Murano. 
Direção Musical, Composição e Arranjo – Gustavo Sarzi. 
Preparador Vocal – Renato Spinosa. 
Trilha Sonora – Nelson Baskerville.
Preparação de Atores – Ondina Castilho. 
Iluminação – Marcos Felipe e Nelson Baskerville. 
Cenário – Marcos Felipe e Nelson Baskerville. 
Figurinos – Camila Murano.
Visagismo – Rapha Henry – Makeup Artist. 
Vídeos – Patrícia Alegre. 
Produção Executiva – Sandra Modesto e Marcos Felipe. 
Produção Geral – Cia Mungunzá de Teatro.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta. 
Duração – 88 minutos.
Recomendado para maiores de 16 anos.
 Ingressos – R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada).

TEATRO DE CONTÊINER MUNGUNZÁ
Rua dos Gusmões, 43 – Luz (próximo à estação Luz do metrô).
Acesso para deficientes físicos. 
Capacidade do Teatro – 99 lugares. 
Bilheteria – Abre uma hora antes do início das apresentações (aceita dinheiro e cartões débito/ crédito Visa e MasterCard). 
Vendas antecipadas pelo sitewww.ciamungunza.com.br.  

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