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Espetáculo Ninho do espanhol espanhol Marc Garcia Coté estreia 1º de outubro

A queda de um avião é o ponto de partida para a história do espetáculo Ninho, que estreia em curta temporada no Viga Espaço Cênico, de 1º a 8 de outubro, com sessões às 20h30. O texto, inédito no Brasil do autor espanhol Marc  Garcia  Coté, com direção de Bruno Guida traz a atriz Janaína Suaudeau interpretando uma garota que rompe um silêncio de anos para confrontar seus medos.

Janaína Suaudeautraduziu o texto, o primeiro do autor catalão, que foi selecionado pelo Comitê de Leitura do Teatro Nacional da Catalunha e apresentado na Sala Tallers do mesmo teatro. A peça começa com o relato de um acidente aéreo, o ritmo do texto se mostra vertiginoso como o fluxo de pensamentos da personagem. “Essa queda provoca o monólogo interior da personagem: um ninho de vozes que se encontram numa verdadeira fuga da consciência e nos permite viajar até a ilha onde passou a infância cercada de pássaros”, explica o autor.

A narrativa frenética chamou a atenção de Bruno Guida. “O texto sugere um delírio onde um acidente aéreo é sobreposto à uma discussão de um casal em um bar e a um ataque de pássaro na infância. Em cena temos o fluxo de pensamento dessa figura que passou por um trauma e agora vomita palavras diretamente para a plateia, sempre com muito humor”, explica.

Para Janaína Suaudeau é a história de uma menina que rompe o silêncio e investiga seu trauma de infância. “Nessa peça, a personagem não tem um arco dramático, visto que a dramaturgia do Marc é uma dramaturgia fragmentada. É como se o trauma dela fosse dissecado na frente do público e que enxergássemos sinapses do cérebro dela ao vivo. É tudo muito rápido e intenso”.

Para a peça, Bruno Guida continua uma pesquisa que começou com The Pillowman – O Homem Travesseiro, de Martin McDonagh e In Extremis, de Neil Bartlett, que transita entre a comédia, o suspense, o terror e a fábula. Com estética grotesca, ao apresentar tipos com deformações físicas, em Ninho investe em uma linguagem que flerta com a bufonaria. 

“Usamos a técnica para construir uma persona que libera o ator de criar uma personagem e o possibilita a entrar em contato direto com o público. Essa figura faz também uma conexão com algo do plano do mistério, alguma coisa que não pertence ao plano da realidade. Alguém que traz mensagens importantes, ocultas, e que para serem apreendidas necessitam de um certo envolvimento que ultrapassa a mera compreensão intelectual. Divertir e entreter o público é a tática que o bufão utiliza para conseguir disseminar suas ideias e críticas de maneira impactante, pois o soco vem em seguida de uma gargalhada que por sua vez é rapidamente substituída por um momento de lirismo”, explica Janaína.

A montagem propõe uma experiência teatral que provoca o espectador a investigar os conceitos de beleza e feiura, de mudez e de fala e de memória e realidade da personagem. O cenário é um local não definido, uma espécie de limbo ou purgatório pontuado por alguns objetos que remetem ao acidente narrado no início do texto e objetos da infância da personalidade encarnada pela atriz, como os pássaros.

O figurino, servirá para trazer deformidade ao corpo da atriz, elevando sua figura do plano da realidade e permitindo que ela entra e saia de diversos personagens sem nunca perder a conexão direta com o público. É um espetáculo onde a quarta parede é explodida e a interlocução com a plateia se dá o tempo inteiro. “E quase um embate direto”, diz Bruno.

“Quando eu escrevi a voz dessa personagem, o que mais me surpreendeu foi a forma como ela se apresentou: por espasmos. Eu, então, me propus a puxar o fio tenso do silêncio que a página em branco me oferecia de forma abundante. Eu queria refletir sobre a mudez; especialmente essa passagem entre o fim da mudez e o começo da voz falada”, conclui Marc  Garcia  Coté.

Além do espetáculo, haverá uma oficina de análise de texto coordenada por Bruno Guida, em três encontros de 13 a 15 de outubro.  O objetivo é destrinchar textos literários, poéticos e teatrais para apropriação de ideias propostas pelos autores, a fim de instrumentalizar o ator e o diretor ao transportar o texto para a cena. As inscrições vão até 6 de outubro.

Ficha técnica:

Texto: Marc Garcia Coté.
Tradução: Janaína Suaudeau.
Colaboração tradução: Bruno Guida.
Direção: Bruno Guida.
Atuação: Janaína Suaudeau.
Música Original: Marcelo Pellegrini.
Cenário e Adereços: Marcela Donato. 
Desenho de Luz: Anna Turra.
Figurino e visagismo: Daniel Infantini. 
Maquiagem: Louise Hélène.
Assistente de Direção: Victor Abrahão
Produção Musical: Surdina. 
Canções Adicionais: Blue Moon (R. Rodgers/L. Hart) – The Mavericks e Don’t Give Up On Me (D. Penn, C. Whitsett, H. Lindsey) – Solomon Burke. 
Vídeo e Transmissão ao vivo: Miguel Salvatore.
Produção Executiva: Leticia Gonzalez. 
Operador de Luz: Marcel Rodrigues.
Intérprete de Libras: Celina Vaz. 
Comunicação e Mídias Sociais: Jessica Rodrigues e Barbara Berta. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.
Assistente de comunicação: Bianca Bertolotto.
Design gráfico: Lucas Sancho.
Fotos: Lígia Jardim. 
Fotos material gráfico: Cleber Corrêa. 
Assessoria Jurídica: Patrícia Galvão.
Assessoria Contábil: Commax Contabilidade.
Produção: Contorno Produções e Pitaco Produções.
Direção de Produção: Jessica Rodrigues e Victória Martinez.

NINHO de Marc  Garcia  Coté

De 1º a 8 de outubro com sessões às 20h30

*No dia 06 de outubro será realizado debate após o espetáculo com Flávio Tolezani

Duração: 40 minutos

Classificação etária: 16 anos

Ingresso: Grátis.

Retirada dos ingressos em: https://www.sympla.com.br/contornoproducoes

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