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Espetáculo “Dos Prazeres” evoca espírito libertário em tempos de opressão

Após um sonho premonitório, uma imigrante brasileira de 76 anos que fez a vida em Barcelona dá início aos preparativos de seu próprio funeral. A história de María dos Prazeres, personagem que dá nome ao conto do escritor colombiano Gabriel García Márquez, se entrelaça de maneira poética à biografia da atriz Maristela Chelala no monólogo Dos Prazeres, dirigido por Ivan Andrade, que estreia dia 17 de janeiro no Sesc Vila Mariana.

Em comum, a personagem e a atriz nasceram no norte do Brasil, migraram para outras cidades e desenvolveram uma relação traumática com a água. A narrativa de García Márquez costura o drama de María dos Prazeres à tragédia pública de uma Espanha sufocada pelo franquismo e é conduzida em um jogo de espelhos por Maristela Chelala – que traz à tona algumas de suas memórias, como o afogamento de sua mãe. 

A primeira providência de María dos Prazeres, nascida em Manaus e que vive há décadas em Barcelona, é encontrar um túmulo longe das águas, pois desde a infância nos arredores do Rio Amazonas e sua viagem de navio para o Velho Continente na adolescência, ela sempre associou a umidade às desventuras da vida. Outra preocupação é ensinar o cãozinho Noi – sua única companhia em uma existência solitária – a chorar em sua sepultura.

Em cena, Maristela Chelala dá voz a todos os personagens: a narradora do conto, a protagonista María dos Prazeres, o agente funerário que ela procura para tratar do enterro, um aristocrático amigo que a visita regularmente até que divergências políticas os levam ao rompimento e o chofer de limusine que, debaixo de uma tempestade, lhe oferece uma carona que mudará o rumo de sua vida.

O realismo fantástico da literatura de García Márquez aparece neste conto de maneira mais contida – presente, por exemplo, no choro ensaiado do cãozinho Noi –, mas suficiente para impregnar uma atmosfera de absurdo ao contexto político daquela e desta época, sintetizada no apagamento da memória de libertários como Buenaventura Durruti, cuja lápide em branco María dos Prazeres faz questão de preencher usando seu batom, no primeiro descuido dos vigilantes.

Além de tratar de temas como a imigração e solidão, a liberdade do amor aparece na peça como principal contraponto ao autoritarismo político. Ivan Marsiglia é o dramaturgista que, junto com o diretor e a atriz, costurou ficção com realidade, passado com presente, objetividade com subjetividade. O espetáculo fica em cartaz de 17 de janeiro a 21 de fevereiro, às sextas e sábados. Sessão extra no dia 20/2, quinta, às 20h.

Sinopse

María dos Prazeres é uma brasileira nascida em Manaus que vive há décadas em Barcelona. Aos 76 anos, esta personagem do conto homônimo de Gabriel García Márquez tem um sonho que interpreta como o anúncio de sua morte e dá início aos preparativos de seu próprio funeral. Ambientada na Espanha franquista, a narrativa é conduzida pela atriz Maristela Chelala num jogo de espelhos em que sua biografia se entrelaça à ficção. 

Ficha técnica:

Monólogo baseado no conto “María dos Prazeres”, de Gabriel García

Márquez, do livro Doze Contos Peregrinos (1992)

Dramaturgismo: Ivan Marsiglia

Direção: Ivan Andrade

Atriz: Maristela Chelala

Produção: Anayan Moretto

Cenografia: Julio Dojcsar

Iluminação: Wagner Pinto
Figurino: Marcela Donato

Trilha Sonora: Carlos Vieira

Fotos: Lígia Jardim

Dos Prazeres

Sesc Vila Mariana. Auditório (128 lugares)

Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo/SP

De 17 de janeiro a 21 de fevereiro de 2020

Sextas-feiras às 20h e sábados às 18h

(Sessão extra no dia 20/2, quinta-feira, 20h)

Duração: 55 minutos

Classificação: 14 anos

Ingressos: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia) e R$ 9 (credencial plena)

Bilheteria: à venda em todas as unidades do Sesc e pelo portal http://sescsp.org.br/programacao/215153_DOS+PRAZERES 

Tel: (11) 5080-3000

http://facebook.com/espetaculodosprazeres

http://instagram.com/dosprazeresespetaculo

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