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Com mostra de repertório Cia Mungunzá de Teatro lança programa de fidelização

A Cia Mungunzá de Teatro sai na frente mais uma vez e lança, durante a apresentação de sua mostra de repertório com os cinco espetáculos do grupo, que acontece de 15 de novembro a 13 de dezembro, o Programa de Fidelização Teatro de Contêiner, uma plataforma de contribuição anual, que permite aos membros do programa o acesso gratuito em todas as atividades da programação do Teatro de Contêiner Mungunzá.

Com investimento anual de R$ 218,00 (duzentos e dezoito reais), o Programa de Fidelização Teatro de Contêiner tem como objetivo arrecadar fundos para manutenção das atividades do espaço em tempos tão inseguros privilegiando o público mais cativo. A adesão ao programa pode ser feita a qualquer hora e tem validade de um ano. Cada contribuinte receberá um cartão de identificação que permite acesso gratuito às atividades do Teatro.  Serão destinados ao público fidelizado 10% da lotação total do espaço, sendo que os membros da plataforma precisam reservar seus ingressos pelo site de Cia. Mungunzá.

Marcos Felipe, um dos integrantes da Cia Mungunzá de Teatro, acredita que esse seja o primeiro programa de fidelidade do teatro alternativo de São Paulo e a ideia é aumentar a rede direta de afeto com o público, já que o Teatro de Contêiner Mungunzá virou farol balizador de políticas públicas. “Seguindo a lógica do faça-você-mesmo, conscientes sobre a necessidade de construção de um imaginário social, abastecidos pelo conceito de desobediência civil e lúcidos em relação às particularidades do centro da cidade de São Paulo, num ato performático, utilizamos as fissuras do sistema político para ocupar um terreno público em desuso no bairro da Luz, local próximo à estigmatizada Cracolândia”, explica ele.

Marcos também conta que o espaço recebe por ano aproximadamente 75 mil pessoas nas mais variadas atividades. “Em 2018 o Teatro de Contêiner Mungunzá foi palco de 60 espetáculos teatrais somando 308 apresentações. A programação contou também com 20 shows, 22 debates públicos, cinco lançamentos de livros e cinco espetáculos de dança”, revela o ator e diretor.

Mostra de repertório

A mostra começa com Poema Suspenso para uma Cidade em Queda – de 15 a 18 de novembro – sexta-feira e sábado, às 20h e domingo e segunda-feira, às 19h. Encenada em quatro torres de andaimes de cinco metros de altura e baseada em histórias e experiências pessoais dos atores, a montagem tem direção de Luiz Fernando Marques, integrante do Grupo XIX de Teatro.

Na sequência serão apresentados os espetáculos Epidemia Prata (de 22 a 25 de novembro, sexta-feira e sábado, às 20h e domingo e segunda-feira, às 19h), Luis Antonio – Gabriela (de 29 de novembro a 2 de dezembro, sexta-feira e sábado, às 20h e domingo e segunda-feira, às 19h) e Porque a Criança Cozinha na Polenta (de 5 a 13 de dezembro, quinta e sexta-feira, às 21h30). O infantil Era uma Era faz apresentações dias 16 e 17 de novembro, sábado e domingo, às 11 horas.

Poema Suspenso para uma Cidade em Queda

Fábula contemporânea sobre a sensação de suspensão e paralisia geral do mundo moderno, o espetáculo mostra um pouco sobre o sentimento de imobilidade que atinge muitas pessoas nos dias de hoje. Uma pessoa cai do topo de um prédio e não chega ao chão. Os anos passam e este corpo não consuma a queda. A partir daí, a vida das pessoas nos apartamentos desse edifício fica presa numa espécie de buraco negro pessoal, onde cada um vive uma experiência que não finaliza. Cada personagem fica preso em sua metáfora, ignorando o conjunto à sua volta.

O diretor Luiz Fernando Marques conta como a peça foi construída: “a Mungunzá é uma companhia atípica, só de atores. O convite veio logo após o sucesso deles com Luís Antônio-Gabriela, espetáculo premiado e minha responsabilidade aumentou com isso. Primeiro, ouvi o que esses atores queriam contar com esse projeto. Essa é uma das características da minha direção: focar nos atores e trabalhar em conjunto com eles. Na primeira parte do trabalho, com os workshops para levantar a dramaturgia, atuei como um provocador desse processo que foi super orgânico”, explica.

Epidemia Prata

Costura entre duas linhas narrativas: a visão pessoal dos atores sobre os personagens reais que conheceram em sua atual residência no Teatro de Contêiner – Centro de São Paulo, e o mito da medusa, que transforma pessoas em estátuas, Epidemia Prata (2018) é uma pequena gira teatral. Dura. Sólida. Nessa gira, a poesia é como um rato, deve se espremer pelos cantos para superar um céu de metal. Repleto de imagens e predominantemente performático e sinestésico, o universo prata, no espetáculo, assume uma infinidade de conotações que vão desconstruindo personagens estigmatizados pela sociedade e compartilhando a sensação de petrificação diante de tudo.

Apesar de levar à cena o endurecimento do ser humano e o fim da sutileza e da comunicação, Epidemia Prata, com texto autoral e supervisão dramatúrgica de Verônica Gentilin, não tem o objetivo de ser um espetáculo de denúncia e sim de alavancar a poesia. “Faço junto com a Cia Mungunzá um alerta desse endurecimento, do parafuso emperrado que não deixa o mundo girar como deveria, mas que também nos coloca como observadores dessa miséria”, conta a diretora Georgette Fadel.

Um chão todo azul com apenas uma carcaça de piano, uma tampa de bueiro e dois mil reais em moedas de cinco centavos a cenografia de Epidemia Prata se completa com uma tela de projeção em cima do palco. A tela mostra imagens relacionadas com objetos duros e de metais. “É a inversão do céu e terra, onde ninguém tem chão e o céu pode ser cruel”, diz Fadel.

Luis Antonio – Gabriela

Sucesso de público e crítica com mais de 400 apresentações e 40 mil espectadores em todo Brasil, Luis Antonio – Gabriela (2011) conta, desde 2018, com a atriz trans Fabia Mirassos no papel de Gabriela. No espetáculo, o diretor Nelson Baskerville coloca em cena sua própria história, onde o irmão mais velho, homossexual, Luis Antonio, desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960. O documentário cênico tem início no ano de 1953, com o nascimento de Luis Antonio, filho mais velho de cinco irmãos, que passou infância, adolescência e parte da juventude em Santos até ir embora para Espanha aos 30 anos, onde se transforma em Gabriela, e vai até 2006, data de sua morte.

Diferentes pontos de vista, como do irmão caçula que foi abusado sexualmente; da irmã que sai pelo mundo em busca do corpo de Gabriela; do pai que não reconhecia o filho travesti; e dos amigos e colegas de trabalho, que viam a figura da protagonista com uma mistura de admiração e estranhamento são usados na montagem para mostrar a transformação de Luis Antonio em Gabriela.

Porque a Criança Cozinha na Polenta

Com cinco temporadas em São Paulo e participações em festivais nacionais, entre eles o festival de Curitiba e Recife, Porque a Criança Cozinha na Polenta (2008) é o primeiro espetáculo da Cia Mungunzá de Teatro e conta a história de uma menina romena cujos pais são artistas circenses exilados de seu país. A mãe se pendura no trapézio pelos cabelos todas as noites e o pai é um palhaço que não acredita em Deus. Enquanto, em seu exílio, excursiona pela Europa Central, a menina, ao lado da irmã mais velha, é arremessada de encontro ao despedaçamento de todos os seus ideais, bem como o preço por cada um deles.

Baseado na obra da escritora romena Aglaja Veteranyi, a montagem foi adaptada por Nelson Baskerville, que também assina a direção. Narrado por uma adolescente que se defende da degradação pela ótica infantil, a peça é ao mesmo tempo lírica e cruel.

Era uma Era

Espetáculo da Cia Mungunzá de Teatro voltado para o público infanto-juvenil, Era uma Era (2015) tem direção de Verônica Gentilin e conta as desventuras de um rei que tenta, a qualquer custo, fazer parte da história e, para tal, documenta toda a fundação do seu reino e seus feitos.

Inspirada no livro O Decreto da Alegria, de Rubem Alves, a montagem tem como temas centrais a memória e a tecnologia e é encenada em um andaime de cinco metros de altura. No espetáculo, os personagens que contam a história do Grande Reino Ainda Sem Nome surgem de uma caixa abandonada. Barba Rala, rei deste Reino deseja a todo custo entrar para a história dando um nome ao seu Reino. A única forma que um Reino tem de ser reconhecido e entrar para a história, é completando 100 páginas no Grande Livro de Autos. Assim, o rei resolve registrar todo e qualquer passo nesse livro. Até que um dia, após um incêndio, o livro é destruído e os habitantes tem que recomeçar sua vida do zero. No entanto, nessa segunda parte da história, os tempos são outros e a tecnologia domina a vida das pessoas. A peça se repete, mas completamente contextualizada no caos da era digital. Novamente o Reino cresce e vai se preenchendo de memórias e registros e selfies até entrar em colapso de novo.

Sobre a Cia Mungunzá

A Cia. Mungunzá de Teatro iniciou suas atividades em 2006, com uma pesquisa realizada em parceria com o diretor Nelson Baskerville, em torno do teatro épico de Bertolt Brecht, que gerou  o espetáculo Porque a criança cozinha na polenta. Entre 2008 e 2010, a peça realizou temporadas em São Paulo e participou de festivais em todo o Brasil, recebendo mais de 30 prêmios. Entre 2011 e 2013, também com a direção de Nelson Baskerville, a companhia realizou o premiado Luís Antônio-Gabriela, que narrava a história de transformação do irmão de Nelson Baskerville no travesti Gabriela. Concebido na perspectiva do teatro-documentário ou documentário cênico, Luís Antônio-Gabriela fez temporadas em São Paulo, além de circular por todo o Brasil e fazer apresentações em Portugal recebendo vários prêmios, entre eles o Shell e o APCA, o da Cooperativa Paulista de Teatro e o Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Em 2015 estreia Era uma Era, que inaugura o repertório infantil da Cia e no mesmo ano, o grupo leva aos palcos Poema Suspenso para uma Cidade em Queda, onde desdobra o tema da família em uma pesquisa sobre os relicários pessoais dos atores e pedaços de histórias, que se unem a experiências universais.

Em 2017 A Cia inaugura o Teatro de Contêiner Mungunzá, formado por 11 contêineres marítimos em uma antiga praça abandonada no bairro da Luz, centro da cidade de São Paulo. Vencedor do Prêmio APCA na categoria especial de teatro e um dos indicados ao Prêmio Shell de inovação pelo uso arquitetônico inédito voltado para o teatro, inserido na região degradada do centro da capital paulista, o Teatro de Contêiner Mungunzá recebeu, em dois anos, 549 apresentações teatrais (113 espetáculos diferentes). No ano seguinte, o grupo estreia Epidemia Prata, com direção de Georgette Fadel, que comemora 10 anos do coletivo e devolve ao público de forma engajada e poética a experiência vivida em um ano no centro de São Paulo, desde a criação do espaço na região da Luz. Também em 2018, a Cia lança o livro-arte sobre os 10 anos do grupo – Mungunzá: Obá! Produção Teatral em Zona de Fronteira… –com assinatura do pesquisador teatral Alexandre Mate e colaboração de José Cetra.

Para roteiro:

MOSTRA DE REPERTÓRIO CIA MUNGUNZÁ DE TEATRO

De 15 de novembro a 13 de dezembro no Teatro de Contêiner Mungunzá.

Ingressos – Ingresso consciente (o público, consciente do trabalho envolvido para realização do espetáculo, e do valor que ele dá para vivenciar esta experiência, escolhe quanto acha adequado pagar pelo seu ingresso, de acordo com sua condição financeira).

Teatro adulto

POEMA SUSPENSO PARA UMA CIDADE EM QUEDA

De 15 a 18 de novembro, sexta-feira e sábado, às 20h e domingo e segunda-feira, às 19h.

Elenco –Verônica Gentilin, Virginia Iglesias, Lucas Bêda, Marcos Felipe e Sandra Modesto. Direção –Luiz Fernando Marques. Finalização Dramatúrgica –Verônica Gentilin. Dramaturgia –Cia Mungunzá de Teatro e Luiz Fernando Marques. Argumento –Cia Mungunzá de Teatro. Técnicos Performances – Pedro Augusto e Leonardo Akio. Diretor Assistente –Paulo Arcuri. Trilha Sonora Composta – Gustavo Sarzi. Desenho de Luz – Pedro Augusto. Cenário –Cia Mungunzá de Teatro, Luiz Fernando Marques e Paulo Arcuri. Direção de Arte e Figurinos – Valentina Soares. Vídeo – Lucas Bêda. Produção Executiva – Sandra Modesto e Marcos Felipe. Produção Geral – Cia Mungunzá de Teatro. Fotografia e Registro do Processo – Mariana Bêda. Duração –70 minutos. Recomendado para maiores de 14 anos.

EPIDEMIA PRATA

De 22 a 25 de novembro, sexta-feira e sábado, às 20h e domingo e segunda-feira, às 19h.

Argumento e Texto – Cia. Mungunzá de Teatro. Supervisão Dramatúrgica – Verônica Gentilin. Direção – Georgette Fadel. Codireção – Cris Rocha. Assistente de Direção – Victor Djalma Amaral. Preparação Corporal – Juliana Moraes. Direção Musical – Bruno Menegatti. Elenco – Gustavo Sarzi, Leonardo Akio, Lucas Beda, Marcos Felipe, Pedro Augusto, Verônica Gentilin e Virginia Iglesias. Vídeos – Flavio Barollo. Arquitetura Cênica – Leonardo Akio e Lucas Beda. Figurino – Sandra Modesto e Cris Rocha. Desenho de Luz – Pedro Augusto. Materiais Gráficos – Leonardo Akio. Fotos de Divulgação – Letícia Godoy e Mariana Beda. Produção Executiva – Lucas Beda, Marcos Felipe, Sandra Modesto e Virginia Iglesias. Produção Geral – Cia Mungunzá de Teatro. Coprodução – Cooperativa Paulista de Teatro. Duração – 60 minutos. Recomendado para maiores de 14 anos.

LUIS ANTONIO – GABRIELA

De 29 de novembro a 2 de dezembro, sexta-feira e sábado, às 20h e domingo e segunda-feira, às 19h.

A partir do argumento de Nelson Baskerville com intervenção dramatúrgica de Verônica Gentilin. Elenco – Fabia Mirassos, Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Lilian de Lima.  Direção – Nelson Baskerville. Diretora Assistente – Ondina Castilho. Assistente de Direção – Camila Murano. Direção Musical, Composição e Arranjo – Gustavo Sarzi. Preparador Vocal – Renato Spinosa. Trilha Sonora – Nelson Baskerville. Preparação de Atores – Ondina Castilho. Iluminação – Marcos Felipe e Nelson Baskerville. Cenário – Marcos Felipe e Nelson Baskerville. Figurinos – Camila Murano. Visagismo – Rapha Henry – Makeup Artist. Vídeos – Patrícia Alegre. Produção Executiva – Sandra Modesto e Marcos Felipe. Produção Geral – Cia Mungunzá de Teatro. Duração – 88 minutos. Recomendado para maiores de 16 anos.

PORQUE A CRIANÇA COZINHA NA POLENTA

De 5 a 13 de dezembro, quinta e sexta-feira, às 21h30.

Texto – Aglaja Veteranyi. Tradução – Fabiana Macchi. Direção e Adaptação – Nelson Baskerville. Elenco – Verônica Gentilin, Sandra Modesto, Virgínia Iglesias, Marcos Felipe e Lucas Beda. Músico – Gustavo Sarzi. Técnicos Performances – Leonardo Akio e Pedro Augusto. Diretora Assistente – Ondina Castilho. Direção Musical – Ricardo Monteiro. Preparação de Atores – Ondina Castilho e Flávia Lorenzi. Iluminação – Wagner Freire. Figurinos – Aurea Calcavecchia. Cenografia – Flávio Tolezani. Vídeos – Patrícia Alegre. Produção Geral – Cia Mungunzá de Teatro. Duração – 80 minutos. Recomendado para maiores de 16 anos.

Teatro infantil

ERA UMA ERA

Dias 16 e 17 de novembro, sábado e domingo, às 11 horas.

Direção – Verônica Gentilin. Dramaturgia – Verônica Gentilin e Cia Mungunzá de Teatro. Atores criadores – Sandra Modesto, Virginia Iglesias, Leonardo Akio, Lucas Beda, Marcos Felipe e Pedro Augusto. Músicas e Trilha Sonora – Gustavo Sarzi. Narração – Gabriel Manetti. Desenho de Luz – Pedro Augusto. Cenário – Cia Mungunzá de Teatro. Cenário Áudio Visual – Lucas Schlosinski e Lucas Bêda. Adereços – PalhAssada Ateliê. Figurinos – Fausto Viana e Sandra Modesto. Direção de Vídeos – Lucas Beda. Animação 2d – Lucas Beda e Lucas Schlosinski. Animação 3d – Lucas Schlosinski  Técnico de Projeção e Som – Leandro Siqueira. Técnico de Luz – Ghabriel Tiburcio. Projeto Visual – Leonardo Akio. Produção Executiva – Sandra Modesto e Marcos Felipe. Produção Geral – Cia Mungunzá de Teatro. Fotografia – Mariana Beda. Duração – 70 minutos. Recomendado para maiores de 6 anos (permitida a entrada de crianças de qualquer idade).

TEATRO DE CONTÊINER MUNGUNZÁ – Rua dos Gusmões, 43 – Luz (próximo à estação Luz do metrô). Acesso para deficientes físicos. Capacidade do Teatro – 99 lugares. Bilheteria – Abre uma hora antes do início das apresentações (aceita dinheiro e cartões débito/ crédito Visa e MasterCard). Vendas antecipadas pelo site ciamungunza.com.br.  

Sobre Luiz Henrique Leão

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