Home / Teatro / Cia do Escombro faz comedia do absurdo que se passa durante o processo de impeachment na TV

Cia do Escombro faz comedia do absurdo que se passa durante o processo de impeachment na TV

Com uma comedia crítica que flerta com o grotesco, a Cia do Escombro chega com seu mais novo trabalho: Olfato. O espetáculo estreia no sábado, 7 de abril, às 20h no Teatro de Container da Cia. Mungunzá. A temporada tem sessões sábados, domingos e segundas-feiras, sempre às 20h, até 30 de abril. A peça passa pela discussão entre as relações de poder no público/privado e reflete a situação política e social no Brasil atualmente.

A montagem tem o diretor convidado de Maurício Perussi e dramaturgia de Teresa Cristina Borges. O elenco conta com Paulo Barcellos, Marco Barreto, Melina Marchetti e Vivian Petri. Na trama, enquanto um importante evento político é transmitido pela televisão, uma mulher, juntamente com a babá e um recém-nascido, vai até um encontro extraconjugal em um sobrado, onde um homem e o seu amigo a esperam.

Em cena, vemos uma mulher rica que busca realizar as fantasias não permitidas por seu status social; a babá, que a acompanha diariamente, e que tenta achar saídas para sua condição servil; um homem, dono do local do encontro, o qual se envolve na situação sem que tenha por isso optado, mas que, ainda assim, não deixa de se aproveitar do que acontece ali; e, por fim, o personagem intitulado “outro”, cujo desejo e cuja impotência estão em constante conflito, manifestando-se nas estratégias que emprega para influenciar os demais.

A inspiração da peça veio de dois cruzamentos: de um lado, a arena privada onde os interesses pessoais, aparentemente subjetivos, refletem também a realidade político-ideológica de seu entorno e, de outro, a votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o que polarizou radicalmente o país.

A dramaturga Teresa Borges falou sobre o processo de construção do texto. “O espetáculo se relaciona com a dinâmica da transmissão televisiva e o seu papel na articulação do processo de impeachment e na formação de opinião. Isso como primeira instância. Na segunda camada, a dramaturgia tenta trabalhar a transposição de uma moral política para uma moral das relações privadas. Os personagens aparentemente não têm relação nenhuma com que estão assistindo, porém, reproduzem e aplicam estratégias, táticas, negociações e artimanhas que são desenvolvidos nas instâncias políticas”.

Para Teresa, a dramaturgia traz diversos fios que são conectados por um tema central que é o poder. “A montagem também toca em uma série de assuntos transversais como relações trabalhistas, de afeto, dependência, de interesse erótico”.

Os recursos cênicos refletem o conceito da animalidade, infantilização e o princípio de justaposição. O cenário é composto por três paredes que evocam uma casinha de brinquedo. O figurino é composto por elementos de vestuário adulto e infantil, além de elementos animais, procurando revelar o que os personagens escondem: o caráter regressivo das relações de poder estabelecidas entre si. A concepção inclui soluções multimídias para reforçar o contexto da história. O vídeo transmite a votação do impeachment e mostra sequências de imagens ligadas a história do Brasil, enquanto a projeção revela um momento de clímax da trama.

“Um dos pontos fortes da peça é a possibilidade de leitura não naturalista para as falas das personagens, figuras estas aparentemente realistas. Essa tensão entre um naturalismo aparente e uma realidade cênica estranha e autônoma foi o que mais me chamou a atenção. Além disso, os símbolos de morte e renascimento contrastados à retórica perversa utilizada pela maioria dos deputados brasileiros, pareceram-me oferecer um material muito rico para a construção de uma leitura crítica a respeito do atual momento histórico do país. Todos esses elementos podem impactar o espectador por uma via mais afetiva do que racional com a construção de uma visualidade expressiva e de uma sonoridade instigante”, finaliza o diretor Maurício Perussi.

Ficha Técnica:

Diretor Convidado: Maurício Perussi.
Dramaturgia: Teresa Borges.
Elenco: Paulo Barcellos, Marco Barreto, Melina Marchetti e Vivian Petri.
Ilustrações: Alto Contraste.
Iluminação: Sofia Boito.
Realização: Cia do Escombro.
Assessoria de Imprensa: Renato Fernandes.
Instagram: @olfatoapeca

Teatro Container da Cia. Mungunzá
Rua dos Gusmões, 43 – Santa Efigênia – São Paulo.
Telefone: (11) 97632-7852.
Temporada: De 7 a 30 de abril.
Sábados, domingos e segundas-feiras, sempre às 20h.
Preço: R$ 20 (Inteira) e R$ 10 (Meia).
Capacidade: 99 lugares.
Classificação: 16 anos.
Duração: 90 minutos.
Ingressos pelo site Sympla: https://www.sympla.com.br/teatrodeconteiner ou bilheteria aberta 2 horas antes do evento.

Sobre ArteView

Veja Também

O Julgamento Secreto de Joana D’Arc no Teatro Oficina

O espetáculo O Julgamento Secreto de Joana D’Arc estreia no dia 26 de julho (quinta-feira, às 20h) no Teatro Oficina, …

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.